Entrevista com Maeve Jinkings

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Estreia em circuito comercial esta semana (finalmente) Amor, Plástico e Barulho, de Renata Pinheiro, longa que começou sua carreira no Festival de Brasília de 2013 e que se revela um campo de debates diversos: resignificação de signos, empoderamento feminino, histeria estética do pop, enfim. O fato é que uma de suas protagonistas, Maeve Jinkings, se descortina hoje como uma atriz virtuosa, namorada pelas câmeras de cinema e enamorada delas. Basta uma cena de Amor, Plástico e Barulho para entender isso. Ao lado de Nash Laila que, a propósito, faz excelente estreia como atriz principal de um longa, Maeve ajuda a contar a fábula de Renata Pinheiro não exatamente sobre a ascensão e queda das estrelas, mas sobre a irmandade entre elas. Logo após o Festival de Brasília do ano passado, onde ela estava como membro do júri, preparadora de elenco do curta Sem Coração, de Nara Normande e Tião, e atriz do curta Estátua, de Gabriela Amaral Almeida (ambos os filmes imperdíveis, vale ressaltar), troquei algumas ideias com Maeve o resultado é o que segue abaixo:

Em tempo: feliz ao realizar que, num só parágrafo, escrevi o nome de duas jovens atrizes feministas e três, três diretorAs brasileiras de cinema.

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O som que ficou ao redor no cinema nacional em 2013

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Carinhosamente tomo emprestado o título do filme mais importante do ano – importante por tantos motivos que nomeá-los aqui seria escrever sobre outra história – para fazer uma retrospectiva do que vi no cinema nacional em 2013 e relacionar afetivamente essa experiência aos sons que ficaram comigo de todos eles.

Primeira observação: em retrospecto, vejo 2013 como um ano particularmente explosivo para o cinema nacional. O petardo foi plantado lá no começo de janeiro com a estreia do próprio Som ao Redor e seu inesperado sucesso comercial para um filme lançado fora do modelo Globo Filmes. O barulho advindo dele está ecoando até agora pelas poucas salas a exibir esse cinema de que vou falar.

Segunda observação: alguns dos longas de que trato aqui ainda não estrearam em circuito comercial, mas se neste texto estão é porque me causaram um impacto tão positivo que não poderia deixar de contar como uma experiência vivida durante 2013. São eles: Amor, Plástico e Barulho; Avanti Popolo; Depois da Chuva e Riocorrente. Todos previstos para um igualmente explosivo 2014. Assim se espera.

Terceira observação: O que se segue é um texto de ordem 100% passional. Não esperem análises.

Quarta e última observação: as comédias da Globo Filmes #nãomerepresentam.

Tendo tudo isso dito, lembremos que:

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Amor, Plástico e Barulho, de Renata Pinheiro

Amor Plastico Barulho

:: Filme na programação da Mostra SP ::

A chamada “cultura brega” que rebola com barriguinha de fora pelas periferias do Brasil tem sido um campo bastante estimulante para que a indústria do consumo se aproprie de seus signos mais elementares e os resignifique em produtos prontos para uma classe média alta ávida em consumir referências externas (e de baixo) com o devido filtro do folclórico. Temos festas, ensaios fotográficos em revistas caras e recentemente até uma novela global a se usar desses artifícios.

Pois agora pegue esse coador de onde o brega escorria sem nata no copo de quem o consumia limpo, e jogue ele no lixo. Porque Amor, Plástico e Barulho não olha o brega de cima, de lado ou na diagonal. Olha de frente. E o resultado disso é um filme de personagens que nunca vimos antes, particularmente com mulheres que nunca vimos antes, não pelo menos do lugar de onde elas e seus corpos falam. Jaqueline e Shelly, respectivamente Maeve Jinkings e Nash Laila, nos contam das delícias e desastres de quem acredita que coração só é capaz de rimar com paixão e tesão.

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Cinema pernambucano ou cinema em Pernambuco?

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:: Na edição de fevereiro deste ano, a revista Monet publicou uma matéria minha sobre a prolífica cena do cinema feito em Pernambuco. Tinha como gancho a estreia de Avenida Brasília Formosa no Canal Brasil. Coloco aqui no blog agora o texto que foi publicado então na revista. Naturalmente, algumas informações estão bem desatualizadas: O Som ao Redor não mais está em cartaz e vários dos filmes que ainda estavam em produção já foram concluídos (tais como Tatuagem, de Hilton Lacerda, e Amor, Plástico e Barulho, de Renata Pinheiro). De qualquer maneira, por não deixar de fazer cada vez mais sentido, achei legal deixar registrado aqui a conversa que tive com alguns diretores. A foto acima, tirada no Cinema São Luiz, é de Rafael Medeiros::

No começo dos anos 90, um tal “maracatu de tiro certeiro” acertou no peito da música popular brasileira. Mas a bala, em vez de matar, ressuscitou e reascendeu uma adormecida euforia por um jovem rock made in Brazil. Estamos falando do manguebeat, movimento que nasceu no Recife e que de certa forma foi brotado em torno de um manifesto escrito pelo músico Fred 04. Mais de duas décadas depois, é também com cheiro de maresia pernambucana que sopra um outro fenômeno cultural no país. Só que, desta vez, ele não vem com manifesto, proposta estética ou ideológica. Semelhante ao manguebeat, ele vem para desfazer a ordem. Mas onde queres música, ele é cinema.

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