Ventos de Agosto, de Gabriel Mascaro

Ventos de Agosto

:: Especial – Festival de Brasília ::
:: Especial – Mostra SP ::

Há sete anos, Gabriel Mascaro e Marcelo Pedroso se lançaram juntos no cinema com o documentário KFZ-1348. De lá pra cá, ambos tomaram rumos distintos que investigavam e experimentavam, cada um à sua maneira, as demarcações do cinema documental quando ele se apropria da ficção e de dispositivos para criar um debate já há muito tempo posto – não apenas pelo cinema – sobre até que ponto o real é percebido apenas após ser atravessado pela fantasia e, mais acintosamente, até quando o olhar de quem filma é senhor dos significados. Pacific (Pedroso) e Doméstica (Mascaro) fizeram isso muito bem. Mas os diferentes caminhos que eles tomaram se tornam muito claros quando da cena de abertura de seus novos longa-metragens, classificados ambos como ficção, mas ambos igualmente enraizados no documental.

Pedroso abre Brasil S/A com a opulenta imagem de um navio de carga rompendo o mar. Em Ventos de Agosto, Mascaro também utiliza uma embarcação para introduzir seu cenário. Só que no lugar da nau gigante e impessoal, o que vemos é um barquinho de pescador bem modesto carregando uma jovem que passa por um mangue para depois chegar ao mar aberto. Pedroso fala das macropolíticas, Mascaro tenta lidar com o microcosmo das relações. Navegam ambos pelo fetiche da imagem, mas há algo em Ventos de Agosto por demais imaterial, além do próprio vento, que faz desse filme uma experiência muita mais próxima de cadernos etnográficos a observar e registrar o ambiente em suas idiossincrasias que exatamente de uma proposta narrativa que ofereça alguma questão ou conflito direto.

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Entrevista: Marjane Satrapi (Gangue dos Jotas)

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Recentemente, graças a uma matéria que fiz pra Harper’s Bazaar, tive a excelente oportunidade de conversar com a diretora Marjane Satrapi, pessoa que eu admiro desde que virei a primeira página de Persépolis, história em quadrinhos autobiográfica pela qual ela ficou famosa no mundo inteiro. Essa premiada HQ se transformou em uma animação dirigida pela própria Marjane em 2007 e chegou a concorrer ao Oscar. Em 2011, uma segunda HQ, também com pegada autobiográfica, chegou aos cinemas: Frango com Ameixas (exibido na Mostra SP daquele mesmo ano). Agora, Marjane volta à programação da Mostra com um filme liberto de tudo: de ser uma adaptação e, principalmente, de ser preso àquelas tabelas rígidas de um calendário de filmagens. A Gangue dos Jotas é uma comédia sobre uma mulher que consegue cooptar dois jogadores de badminton para perseguir uma suposta gangue de mafiosos conhecidos como Os Jotas: José, Juan, Javier, Júlio, Jorge e Jesus. Segundo Marjane, foi filmado quase que completamente no improviso. Abaixo, transcrevo a entrevista completa com alguém que não cansa de rir de si mesma e, quando possível, dos outros.

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