Entrevista: Alê Abreu (O Menino e o Mundo)

O menino

O Menino e o Mundo pode ser um filme triste que te enche de alegria. Ou um filme alegre que te enche de tristeza. Em ambos os casos, essa é uma animação que, entre sentimentos conflitantes, quer falar sobretudo sobre coragem. Sobre um menino que, impávido pequeno, desbrava o mundo para achar a si próprio. Em entrevista com Alê Abreu, descubro então que essa impetuosidade está no cerne do processo em que a animação foi construída. Com um roteiro completamente aberto, se adequando às descobertas de um diretor predisposto ao erro, a “dar com a cara no muro”. Esse arriscado processo, no entanto, explica por que esse é um filme com todas as qualidades da excelência. Feito com cerca de R$ 2 milhões, o novo trabalho de Alê Abreu mostra que novos caminhos são possíveis para a animação no Brasil e, se o povo lá fora estiver atento, no mundo. Confira a conversa:

Você tem um trabalho de animação que, com muita frequência, aborda questões sociais: fala de capitalismo, de aprisionamento… Isso é algo calculado?

Faço dos meus trabalhos um exercício de me colocar na roda com questões que vão surgindo e que vão revelar outras tantas questões. Tento relacionar toda essa confusão que está na minha cabeça da maneira mais sincera e entregue possível. O Menino e o Mundo foi o trabalho que consegui melhor exercitar esse processo. E o que se revela no filme é muito mais relacionado a esse processo do que qualquer ideologia. Muito embora, o próprio processo de trabalho seja, ele mesmo, um pouco ideológico. Meu processo é muito em cima de criar teses e antíteses que trazem sínteses que vão entrar na roda de novo.

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