Primo de Segundo Grau, de Alan Berliner

Primo de Segundo Grau

Quando Edwin Honig percebe o céu, o filme nos mostra o fundo do mar. Existe uma estrada úmida, de barro batido, entre o sentido da paisagem etérea que o personagem vê e a ideia de submersão que a montagem nos dá logo em seguida. Nesse percurso o diretor Alan Berliner tenta resignificar palavras. Pois essas palavras que passaram a vida servindo aos poemas de Edwin vão, ao longo do filme, perdendo seus pontos de cognição. Restam a elas apenas a melodia de fonemas que se encontram, tal como quando o céu encosta no oceano.

Criando música com as conexões que o objeto e sujeito do filme já não mais consegue fazer graças ao Alzheimer, Berliner fez um documentário com todas as coisas mais importantes da vida e, por isso mesmo, todas as mais negligenciadas. Primo de Segundo Grau não é apenas um filme sobre a perda da memória. Na verdade, é sobre tudo menos isso.
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