Cortinas Fechadas, de Jafar Panahi e Kambuzia Partovi

Panahi

:: Filme na programação da Mostra SP ::

Atrás das grades. De onde a câmera se encontra no começo do filme entendemos que a Panahi só é hoje dada a possibilidade de discutir seu próprio aprisionamento artístico. E sendo a sua arte o cinema, essa discussão, mais uma vez, estará centrada em colocar à prova a natureza de uma narrativa filmada, desde seus recursos técnicos à construção de personagens. É assim que dando continuidade ao que começou há dois anos com Isto Não É Um Filme, o diretor iraniano que foi condenado em 2010 a prisão domiciliar por seis anos e, pior, 20 anos proibido de fazer cinema, que Panahi burla mais uma vez sua sentença e disserta sobre seu trabalho.

E se Isto Não É um Filme falava sobre o conceito do cinema a partir de sua negação, Cortinas Fechadas fala sobre a negação do próprio autor. Sim, é um filme triste que reflete um pouco um aparente estágio de depressão do diretor. Panahi fala sobre o esquecimento de personagens, o cortinamento de seus filmes, sua certeza de ser incapaz de fazer qualquer coisa senão aquilo e, em algum momento, até mesmo o tópico suicídio é mencionado. Naturalmente, ao colocar todos esses elementos em evidência com o uso de personagens (incluindo ele próprio) que trafegam para além do cárcere das páginas de um roteiro, Panahi tenta sublimar seu enfraquecimento emocional. Se abre e se expõe ao público em um movimento que, se não corajoso, é no mínimo audaz.

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