Esse Amor que nos Consome, de Allan Ribeiro

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Exú, orixá do movimento, do corpo que vai, o mensageiro na porta que só dá quando recebe, mas quando recebe sabe dar. É ele quem protege a casa de fachada azul desbotada, três andares no meio do concreto pesado, alto e cinza do centro do Rio de Janeiro. Com a fumaça de seu charuto, ele afasta o mal olhado da especulação imobiliária, do capital. E preserva o espaço da arte, da poética e, claro, dos corpos em movimento.

Esse Amor que nos Consome, de Allan Ribeiro, é um filme que dialoga com o discurso da urbanização, até onde o homem vira cimento, até onde o cimento se torna humano. Em breves linhas, trata-se de uma ficção documental, gênero cada vez mais experimentado no cinema brasileiro, sobre um grupo de dança que tenta se fixar em um casarão enquanto ele não é vendido (pelo nada módico preço de R$ 1 milhão). Sem dinheiro para adquirir a casa, eles vão ficando. Enquanto isso, interessados no imóvel vão e vem, observando desconfiados aqueles dançarinos.

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