Habi, a Estrangeira, de María Florencia Alvarez

Habi

:: Filme na programação da Mostra SP ::

Em seu primeiro longa-metragem, a argentina María Florencia Alvarez faz um recorte de uma Buenos Aires que desconhecemos e nos apresenta um argumento interessante sobre uma menina em busca de sua própria identidade a partir de uma comunidade muçulmana. Mas os méritos do filme estacionam aí. Existe uma apatia emocional da personagem-título que contamina a história. Os conflitos que surgem nela não convencem, suas questões sobre o mundo parecem estar sempre dormentes. E o fato da personagem ser naturalmente introspectiva não exime o roteiro em achar alguma solução dramática para que embarquemos no caminho e nas dúvidas da protagonista.

Co-produção Argentina/Brasil (com dedo de Walter Salles), o filme acompanha a trajetória de Analía, uma menina de interior que, ao fazer uma entrega em Buenos Aires de uma peças de artesanato confeccionadas por sua mãe, termina conhecendo a tal comunidade muçulmana e, por aparente falta de pertencimento a qualquer ambiente ou ideia, decide se integrar àquele grupo. Aluga um quarto de uma pousada e adota o nome de uma menina desaparecida (nome que ela vê em um cartaz colado na casa onde terá aulas de árabe e de religião, uma decisão que já me parece um problema sério do roteiro).

Nos dois ambientes por onde ela circula, os coadjuvantes parecem ter mais histórias a contar. Na comunidade árabe, há sua professora gente boa Yasmin (Lucía Alfonsín) e o rapaz por quem Analí/Habi vai se apaixonar: Hassan (Martín Slipak). Na pousada, há a filha da dona, uma menina que insiste em falar apenas em inglês com os hóspedes do lugar. E há a brasileira ao lado que vive tendo problemas com seu namorado, interpretada por Maria Luisa Mendonça.

A atriz Martina Juncadella, que interpreta a protagonista, recorre a umas duas ou três expressões que se repetem o filme inteiro. Não se sabe exatamente se isso acontece porque a personagem não deveria evoluir (culpa do roteiro) ou se a personagem não evolui também causa disso. Jogo minhas fichas na segunda opção.

Quanto à Maria Luisa Mendonça, ela com certeza entrou no casting quando alguém na produção pronunciou a palavra-chave em sua carreira: personagem “destemperada”. E eis que mais uma vez a vemos à beira do colapso emocional. A acho uma excelente atriz, mas tenho a vaga sensação que as sombras de Buba ainda a perseguem. Queria vê-la em um papel de uma funcionária pública, cujas únicas preocupações de vida seriam lembrar de pegar o menino na escola e pedir a receita do bolo de limão da sogra. Mas divago…

Fato é que fiquei esperando achar as camadas da moça a quem a câmera acompanha muito comportadamente e não vi nada muito além de um ensaio de personagem.

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