Elena, de Petra Costa

Elena

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

O poema é de Carlos Drummond de Andrade e, assim como tantos outros versos, foram escritos especialmente para quem nele identifica algo muito íntimo e profundo de si próprio.

Ausência, de Drummond, foi por isso também escrito para Petra Costa.

Diretora de cinema, atriz, formada em Antropologia e Teatro no Barnard College da Columbia University, em Nova York, mestrado na London School of Economics, em Londres, ela também já estudou dança, psicologia e, mais recentemente, passou três anos se aprofundando em uma pós-graduação dessa ausência tão presente que sempre foi a sua irmã, a também atriz Elena Andrade.

Elena, além de memória, é o nome do primeiro longa de Petra, que estreia esta sexta no circuito comercial do cinema brasileiro, desafiando um certo ranço que este mesmo circuito tem justo com as duas coisas que este filme é: documentário e poesia. Ou, nas palavras da própria Petra, uma “elegia”.

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